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Samwaad - Rua do Encontro

 

 

Não é de hoje que o coreógrafo Ivaldo Bertazzo adotou uma proposta social em seu trabalho. Após trabalhar com as crianças do Complexo da Maré, ele apresentou o novo espetáculo, "Samwaad - Rua do Encontro", em temporada no Sesc Tijuca, com o corpo de baile formado por jovens vindos da periferia de São Paulo.

O objetivo inicial de Bertazzo é unir extremos culturais através da dança e da música. "Linguagens distantes no tempo podem se complementar no mundo voltado para globalização e produzir encontros inusitados de gestos e sons", afirma. No palco, uma grande rua, por onde 55 jovens, vindos de sete ONGs da periferia paulistana, desfilam coreografias que seguem a proposta "sem fronteiras" da montagem.

A música indiana foi uma das principais inspirações para "Samwaad", palavra que significa harmonia em hindu. A trilha do espetáculo foi baseada em escrituras sagradas do hinduísmo e fala de iluminação, de entendimento. Além da filosofia, um "toque oriental" será dado por uma dançarina indiana e sete ritmistas.

Toque brasileiro

No Sesc, instrumentos como a cítara indiana e o odissi estarão dialogando com o tamborim e o pandeiro. Inclusive, um casal de passistas está no elenco da encenação. A idéia é falar também de identidade e de cultura, sob a perspectiva do equilíbrio harmônico das relações:

"Há pontos em comum que se conectam em todas as classes sociais e em todos os povos. A diversidade cultural está enraizada em cada um de nós e, quando unimos extremos no palco, o resultado surpreende e aí percebemos que todas as possibilidades estão dentro de cada um e que a interação existe", explica Bertazzo.

A ficha técnica de Samwaad é de respeito. O carnavalesco Chico Spinosa foi recrutado para cuidar do visual do espetáculo e criou inusitados figurinos para o elenco. Elementos orientais tomam conta da montagem, com iluminação assinada pela dupla Pedro Pederneiras e Fran Barros.

Toda a experiência com o projeto, encenado desde março, foi transformada em um livro, "Espaço e corpo - guia Método Bertazzo". Mostrando que o trabalho social com os jovens foi muito maior do que simplesmente ensaiá-los, o livro trará depoimentos dos diversos profissionais envolvidos com o projeto, como médicos, músicos e professores.

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