Para gravar a trilha sonora do espetáculo Samwaad-Rua do Encontro, Ivaldo Bertazzo trouxe ao Brasil o grupo Gandharva Mahavidyalaya, liderado pelo cantor Madhup Mudgal, e convidou 35 ritmistas de diversas escolas de samba paulistanas para acompanhá-los. Rafael Y Castro pôs ordem na bateria, Benjamim e João Taubkin assumiram o piano e o contrabaixo e, juntos, surpreenderam a platéia do Sesc Belenzinho, de São Paulo, entre os dias 20 e 23 de novembro de 2003.
“Os percussionistas tocaram sentados, como se integrassem uma orquestra. Em determinado momento, ao ritmo da música indiana, um casal de sambistas apresentou alguns passos de mestre-sala e porta-bandeira. Esse tipo de experiência ajuda a derrubar a idéia de que sambista não sabe ficar quieto”, lembra Rafael Y Castro.
O músico Benjamim Taubkin explica que a música indiana é composta em um tempo mais longo, mas segue uma divisão quaternária semelhante à da música brasileira. Foi o suficiente para garantir um encontro frutífero. “Há frases indianas muito parecidas com estilos tradicionais do Nordeste, como o baião”, compara.
Madhup Mudgal, o líder dos estrangeiros, adorou o som do berimbau e deu a receita do entrosamento: “Já havia tocado aqui, em 1996, com Paulo Moura. Desta vez, recebi em casa um vídeo com uma apresentação desses ritmistas. Fiz coisas especialmente para a ocasião e, só na semana de ensaios, compus outras três canções”, diz.
O show no Sesc Belenzinho teve início com o encontro de instrumentos indianos e brasileiros em uma composição indiana. Sutil e lentamente, surgem vinhetas e citações de nossos sambas enredo, possibilitando ao público reconhecer os instrumentos brasileiros com outras identidades sonoras. Aos poucos, a escola de samba toma a dianteira, assumindo sua expressão de espetáculo talvez com menos agressividade do que a disputa carnavalesca estimula.
"Já conhecemos outras experiências de fusão musical entre percussionistas brasileiros e músicos estrangeiros, como Olodum e Timbaleiros. Porém, não temos notícias sobre qualquer tentativa de juntar músicos de escolas de samba com outras etnias musicais", diz o coreógrafo Ivaldo Bertazzo. "A idéia é estimular o músico indiano a descobrir uma cuíca e o percussionista brasileiro a desvendar as famosas contagens musicais indianas", explica.



